Saturday, November 07, 2009

Outono
Sabadão, cinza, chuvoso, frio. Isso é outono^, minha estação preferida no quesito beleza. Nada se compara ao outono. As cores lá fora estão um desbunde, e quando o sol aponta tudo reluz num festival de ocres, laranjas, verdes e amarelos. Eu amo o outono. Esse ano eu dei uma marcada de touca, não estive com minha fiel companheira câmera fotográfica para registrar os vários belos momentos que tive a oportunidade de presenciar. Uma pena. Ficarei mais atenta nos dias adiante.

Visitas
Estivemos com visitas desde o início de setembro, entra-e-sai de gente, idas e vindas do aeroporto. Ainda me sinto um tanto culpada por não ter sido possível levar meu querido pai ao aeroporto. Como fui pra Holanda e senhorio ficou amarrado no pé da mesa do trabalho, ele acabou tendo que pegar um taxi. Deu tudo certo. E as visitas se sucederam, na última sexta fiz eu mais um serviço de taxi e fui levar a sogra para seu embarque de retorno. Agora, não temos nada agendado. Essa sequência não nos cansou como outrora, acho que estamos catimbados, ou vai saber o que. Mas é também bom ter de volta nossa rotina, e garanto que a nossa santa au-pair está feliz da vida que reganhou domínio sobre seus aposentos.

Drama Queen
Eu sou a maior drama queen. Notícias talvez no pipeline, mas eu tenho que lembrar o quanto que eu dramatizo as coisas, e o quanto que eu dramatizo as coisas mais um pouco.

Sopa
Tô fazendo uma sopinha de cenoura que vai encher nossos buchos hoje à noite, juntamente com um franguinho mexicano. Eu adoro sopas. Uma coisa que gosto também do outono é esse desfilar de sopas que passam por minha cozinha. Já estou fuçando em receitas para mais idéias. Adoro minhas sopinhas.

Thursday, November 05, 2009

O amanhã sou eu
Sabiam que tenho poderes paranormais? Previ, antevi e, voilá, aconteceu. Vou abrir um serviço online, SMS, ser rica e famosa. Isso se o Euromillion dessa sexta não der conta do assunto com antecedência.

Wednesday, November 04, 2009

A vontade que não vem

Eu queria dizer algumas coisas, mas então a vontade passa.

A última nova sem qualquer importância é que parece que mais e mais gente entra no Facebook. Alguns cristãos que nunca tiveram orkut sucumbiram ao layout mais clean e à vida mais respeitosa do facebook. Já faz um bom tempo que estou por aquelas paradas, e contrariamente ao twitter ou orkut, eu nunca vi quebra-pau público, esse lugar tão comum da vida virtual brasileira.

Outro dia vi um artigo na Época em que a colunista falava sobre os perigos da internet e em como ela era contra essas redes sociais - comentando um caso de uma adolescente que foi sequestrada, estuprada e torturada por um doidivanas criminoso que conheceu pela net (não achei mais o link). Fico um pouco preocupada quando gente que é colunista profere tantas barbaridades. A internet pode ser somente mais um meio pelo qual maníacos conectam-se às suas vítimas, e basear o perigo de uma rede social virtual à probabilidade de ser estuprada, sequestrada e torturada me parece um tanto, digamos, reacionário e psicótico. No mais, se vc quer proteger tudo e todos de todo mal que há nessa terra, melhor é nem nascer mesmo.

Dona Maria continua metralhando palavras por minuto. Já contei que ela é uma figura, de carteirinha, filiação e tudo mais? Pois então, meus dois são tão diferentes um do outro e ao mesmo tempo eles se divertem, brigam, se amam e se odeiam. Fiquei a pensar se essa coisa toda de amar, daqueles amores que vêm de uma antipatia incial, bem pejorativamente o te odeio, mas te amo logo após, não tenha suas razões e origens nessa relação fraternal. Eu, que só tive irmãos, consigo vislumbrar tal hipótese.

Zé Mané volta amanhã pra escola. E a vida tem seguido debaixo de dilúvio - o que chove nessa terra no momento nâo está pra principiante. ESpero que os poupe amanhã, pela manhã.

E eu vou é dormir. Morta, exausta, meu atual habitual corrente.

Wednesday, October 28, 2009

Ser mãe e a morte
Já deu pra perceber que até que eu lido com essa coisa toda da maternidade de uma maneira leve e, no geral, sou realmente uma mãe que é um pouco desencanada e deixa os pequenos experimentarem da vida com limites bem, digamos, amplos. Não sou de ficar a correr atrás dos miúdos pensando que vão se matar com um novelo de lã, ou que cairão do sofá e partirão as cabeças ao meio. Nessa coisa de viver e testar, conheço muito pouca gente que goste de teoria e abdique da prática, e muito menos gente que goste de teoria ditatorial. Creio que o exercício parental tenha sucesso quando a responsabilidade e as consequências pelas escolhas sejam explicadas, e até onde dá, deixo para os dois baixinhos resolverem se vão ou se ficam e se testam por si mesmos. Isso não quer dizer que não me estresso, que não diga muitos não ou tampouco que não tenha lá minhas ansiedades.

E falando das minhas ansiedades, tenho percebido que sofro de grande dificuldade para explicar a morte. Zé Mané, que é mais velho, é extremamente agitado e se toca no assunto, ele já esqueceu no segundo seguinte e assim evita a prolongação de minha agrura. Dona Maria é uma matraca giratória, fala sem parar e interage o tempo todo, até consigo mesma. Por conta disso, ela me pergunta sempre que vê em algum desenho o que aconteceu com o bichinho / menininho que morreu.

Já cogitei que, talvez, a minha condição de atéia dificulte a explicação. Porque dizer para uma criança de dois anos que morreu, acabou, c'est fini, além de ser cruel, só amplia a oportunidade para mais uma saraivada de questões, às quais, novamente, me colocarão exatamente na mesma situação, perpetuando, complicando e me angustiando. Até o momento eu consegui responder na base do foi embora e não volta mais, assim, em aberto e completamente desarticulada, tanto, que reconheço que nem eu mesma entenda direito o que estou a dizer. Obviamente que essa enganação não vai durar muito tempo, daqui a pouco ela vai voltar e perguntar o foi embora pra onde, como assim não volta, e por que não volta mais - a famosa combinação onde-como-por quê? E, honestamente, eu não faço a mais reles idéia do que responder. Convenhamos, a morte é inquestionavelmente um puta estraga-prazer, tira-gosto e party booper, salvo raros casos em que seja um bem pra humanidade, em sua grande maioria é a tradução de lidar com perda, dor e sofrimento. E para um ateu, um adeus definitivo. Querer mostrar esse lado para uma criança de 2 anos me angustia sim e me faz lembrar que sem dúvida os religiosos são mais felizes.

O que tenho considerado fazer é projetar toda essa coisa da morte para o non-sense total, para o mundo imaginário, de fadas, seres absurdos, gente que vira espírito, gente que vira bicho, gente que vira coisa, vou fazer um shake de um monte de referências e trasnformar em histórias rocambolescas, me enrolar toda e me divertir um pouco. Porque se os religiosos são mais felizes, eu ao menos vou provar que os ateus se divertem mais.

E então, que assim seja. Amém.

Monday, October 26, 2009

Da vida de expatriado 2

Agora embalei, ninguém me segura.

Há que se constatar que o olhar de expatriados para com as origens sempre fica romantizado, assim como o das mães. A minha sempre diz que nós fomos bagunceiros normais, pois eu me lembro das coisas que fizemos e me arrepiam os cabelos imaginar que os meus vão repetir tudo aquilo no superlativo. Lá em casa sempre acabava com alguém soltando sangue, alguém com algo quebrado, alguém no hospital ou então muita gente correndo atrás de nós para uma esquentada de bunda. Mas ela acha os meus dois muito, MUITO mais terríveis do que fomos. Insisto que ela ou não se lembra, ou tem memória seletiva ou está me sacaneando. Ela então insiste que os meus dois são sim, muito, mas MUITO terríveis - ainda que não tenhamos no currículo, até o momento, nenhum ferido grave.

Aceito que o meu olhar romantiza muito do que é referência e do que ficou no passado. Porque a gente seleciona o que quer lembrar, guarda tudo aquilo de bom e renova aqui dentro as pequenas desgraças, deixando os desagrados para um pouco mais longe. Um exemplo, o trânsito daquela cidade maluca que é São Paulo. Eu, por aqui, deveria ter vegonha de reclamar do trânsito meia-boca que por vezes pego. Porque se tem dias em que demoro 45 minutos, 50, vá lá, 1 hora pra chegar em casa, em São Paulo poderiam ser horas, horas e horas. Então, reconheço que a memória envelhece e faz tudo ficar em cores pastéis e, de alguma forma, eu não me lembro do sofrimento no trânsito de São Paulo.

Lido, algumas vezes, na base do humor: quem sabe rir de si é seguramente mais feliz do que os ranhetas e broncos. Mas, como eu não sou e nem nunca fui lady, tem dias em que o humor vai dar um passeio e o que me resta é a frustração, indignação, incômodo e, de certa forma, essa melancolia por aquela vida romantizada que chamo de casa.

Nunca fiz planos de voltar ao Brasil, e nem mesmo nessas horas faço. ASsim reafirmo que a minha felicidade independe dessa minha visão romantizada da terrinha. Tudo que sinto é absolutamente normal, os momentos de estranhamento passam, se renovam e, dentro em pouco, estarei aqui novamente de bem com o meio que me cerca. Saber que as marés baixas vêm é importante, mas saber que elas se vão é o que faz meus dias. No mais, sou camaleoa. Absorvo, incorporo, me moldo, em tudo que é maleável de mim mesma. Navego por entre mundos muito distintos sem me sentir peixe fora d'água, adapto-me sem muito custo, vou pela vontade de experimentar, mesmo que a custo de cabeçadas. Porque eu sei que depois o que fica é o experimentar, as cabeçadas, de certa forma, ou viram histórias absurdas cheias de graça, ou são esquecidas. Simples assim.

Eu adoro quando faço perfeito sentido de minhas incongruências. Me sinto uma assumidade de minha própria incoerência.

Sunday, October 25, 2009

Da vida de expatriado

Achei que merecia apenas uma explicação um pouquinho melhor, com menos jeito de reclamação. Acho um tanto normal expatriado viver em altos e baixos com a cultura que lhe acolhe e a vida tem dessas coisas, desses mistérios, de apresentar um combinado de coincidências bem estilo tudo ao mesmo tempo agora para nos enfiar nesse momento sou mais brasil no qual me encontro. OU algo assim. O que tem ocorrido com certa freqüência é, justamente, a reclamação alheia. A última foi terem colocado uma carta da adminstração do espaço comum (espaço o qual parcamente utilizamos, visto que nossa casa é a única separada totalmente do condomínio) para todos os condônimos informando que as crianças estão interditadas de brincar na área do estacionamento - o qual tampouco também utlizamos, visto que temos nosso próprio. Minhas crianças quase nunca estão por lá, mas há outras crianças, com menos jardim, com menos espaço, e que por vezes vão brincar por ali, andar de bicicleta, brincar de polícia e ladrão. O outro lado da moeda é que uma pá de gente para os carros por ali onde não deve, uma pá de gente dá festa e fica com o som alto até altas horas, uma pá de gente para, até mesmo, o carro ali na saída da nossa casa, e essa gente nâo tem simacômetro, minha nossa?
Fiquei fula da vida e disse a senhorio que agora adotaria a tática de guerrilha, não me cutuca que eu te cutuco, e escreveria para a administração do condomínio delatando esse povo idiota que empilha carro no estacionamento. Ao que ele sutilmente me lembrou que, fazendo isso, estaria eu então entrando nesse esqueminha ridículo dos reclamantes e, de certa forma, me convertendo a um deles.
Pois é, senhorio tem dessas surpresas...
E hoje fui nadar 2.1 km, treino de 50 minutos. Uma delícia. Até mesmo esqueci-me dessa francesada mala e sem noção.

Saturday, October 24, 2009

De post em post

Minha nossa senhora, mas o que foi que aconteceu? Sumi. Tantas coisas, que nem sei por onde começar. Talvez pelo final: hoje foi um dia de corrida, sogra na área, jantar e despedida - amanhã Zé Mané vai pra Holanda para passar um pouco da semana e meia dele de break.

Meus pais já se foram, a estadia foi muito boa. Chego até a pensar que meu Zé Mané ficou menos hooligan. Avós deveriam estar mais juntos dos meus pequenos, seguramente fazem bem. E agora eles já voltaram em vôo separados, como de hábito. Conseguimos falar hoje, somente, por conta da vida atropelada.

E tanta coisa aconteceu no meio do caminho que eu mesma já fico cansada só de lembrar. Um pequeno hiato nessa correria toda é, justamente, que minha corrida ficou totalmente esquecida. Esportes não estiveram em voga... Mas, Ok, hoje fui correr e foi ótimo. Meus músculos têm memória melhor do que meu cérebro, isso é fato.

Ultimamente passo por aquela fase que todo expatriado passa, aquele baixo profundo, em que vc sente que quase 10 anos de janela não serviram nem um tiquinho para aproximá-la da cultura com a qual vc convive. Algumas pequenas encheções de saco, no meio dessa vida movimentada que me tiram realmente do sério. Nesses dias constato que não mudei nada, que não sou nada diferente do que um dia fui, aos 16 anos, com toda a minha vida passada em solo brasileiro... E de uma certa forma, é bom estar ocupada, porque então quase nem lembro dessa francesada que me irrita profundamente.